ninguém as procura. Seus amigos divertem-se mais quando você não está
presente. Você conhece tanta coisa que as outras pessoas nada lhe podem
dizer. Deste modo, ninguém ousa experimentar, pois o esforço o levará
apenas a um trabalho penoso e desagradável. Por isso, você não tem
probabilidade de conhecer nada mais do que já conhece agora, o que, diga-
se de passagem, ainda é bem pouco”.
Uma das coisas mais notáveis que conheço sobre Ben Franklin foi o modo
pelo qual ele recebeu esta sábia repreensão.
Foi bastante grande e bastante sábio para compreender que tudo aquilo era
verdade, vendo que estava sendo levado para um fracasso e para um
desastre social. Assim, transformou-se por completo. Começou, então,
imediatamente a mudar suas insólitas e pernósticas maneiras.
Disse Franklin: “Fiz disto uma regra: evitar toda contradição direta aos
sentimentos alheios bem como toda afirmativa decisiva de minha parte.
Cheguei a proibir-me o uso de toda palavra ou expressão de linguagem que
importasse uma opinião fixa, tais como “certamente”, “indubitavelmente”,
etc., e passei a adotar, em lugar delas, “eu concebo”, “eu penso”, ou “eu
imagino” ser uma coisa assim; ou ‘assim me parece no momento”.
Quando outra pessoa asseverava uma coisa que eu julgava errada, negava-
me o prazer de contradizê-la de pronto e de apontar-lhe logo alguns
absurdos da sua asseveração; e, respondendo, eu começava por observar
que em determinados casos e circunstâncias a sua opinião podia estar certa,
mas, no presente caso, parecia-me um pouco diferente.
Muito cedo encontrei as vantagens desta minha mudança de maneiras; as
conversações que entretinha tornaram-se mais agradáveis. O modo modesto
pelo qual emitia minhas opiniões ensejava-lhes uma mais pronta recepção e
uma menor contradição; quando errava sentia menos embaraço em
reconhecer o meu erro e, com mais facilidade, conseguia colaborar com os
outros em desfazer os seus enganos e faze-los seguir meu modo de pensar
quando sucedia estar a razão comigo.
“E este modo, que a princípio, para ser posto em execução, exigiu-me certa
energia para refrear minha inclinação natural, tornou-se, com o passar do
tempo, tão fácil e tão habitual para mim, que, talvez durante os cinquenta
anos passados, ninguém ouviu escapar de mim uma expressão dogmática
qualquer. Penso que a este hábito (depois do meu caráter de integridade)
devo, principalmente, o que tanto influiu junto de meus concidadãos,
quando propus novas instituições ou alterações nas antigas, a grande